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Fotografia do Casarão da Nossa História em 1959, quando ainda era o 1º Fórum de Guarulhos, registrada pelo fotógrafo Massami Kishi.

Casarão da Nossa História em 1959. Foto: Massami Kishi

Era uma casa muito engraçada… Um palacete abandonado, cercado por tapumes, ignorado pelos pedestres que atravessavam o cruzamento entre a Felício Marcondes e a Sete de Setembro, no centro de Guarulhos.

 

Porém, com muito esmero, um espaço esquecido se tornou um lugar de lembrança - não só do que ele próprio já foi um dia, mas também de uma cidade inteira.

O Casarão da Nossa História é um centro educacional, inaugurado em 22 de Julho de 2025, no ano que marca o centenário do edifício. O funcionamento do espaço é contínuo: de segunda a sexta, das 9h às 18h, e aos sábados, das 9h às 16h, com entrada gratuita. 

Escolas, sejam estaduais, públicas ou grupos privados,  têm procurado ativamente o Casarão - o que está alinhado ao principal objetivo do espaço, mantido pela Secretaria da Educação de Guarulhos.

Daniele Gomes e Priscila Caetano, funcionárias do Casarão da Nossa História

De acordo Priscila Caetano, gestora do espaço, o objetivo é promover uma experiência cada vez mais imersiva para os alunos da cidade:

"Nós temos um projeto para receber essas crianças com uma visita, um tour guiado. Teremos monitores, historiador dentro do espaço, para que façam um acompanhamento dessas crianças. E, também, que elas realizem oficina, com argila, levem para casa uma lembrancinha".

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Fachada do Casarão da Nossa História, como está depois da restauração, vista da rua.

Casarão da Nossa História em 2025. Foto: André Paulon

O local tem registrado um fluxo intenso de visitantes desde sua reabertura, demonstrando um grande interesse da população, com um pico de em média 200 visitantes nos finais de semana. O espaço chamou a atenção de Dalva, moradora do bairro Presidente Dutra, e da filha Alice. As duas visitaram a casa durante a semana, e saíram satisfeitas.

“Eu gostei mais sobre a história da casa. Como ela foi mudada, e também como ela foi destruída e remontada de novo”, diz Alice. Já Dalva reforça o poder do espaço em resgatar memórias: “Eu gostei da história, né? Eu já moro aqui em Guarulhos há 30 anos, então foi bem legal relembrar”.

Jornal antigo com manchete "Casarão histórico abrigará centro de leitura", publicado quando o espaço ainda não havia sido reformado.

Jornal exposto no Piso Inferior. Foto: André Paulon.

Porém, ninguém acompanhou mais de perto a transformação de Guarulhos do que o próprio Casarão. Construída em 1925 a pedido do quarto prefeito da cidade, José Maurício de Oliveira Sobrinho, a casa foi sua moradia oficial antes de se reinventar diversas vezes nas décadas seguintes: foi museu, fórum, e até junta militar.

No começo dos anos 2000, o edifício foi tombado como patrimônio da cidade. Mas mesmo com o reconhecimento, por razões judiciais, o espaço passou as décadas seguintes desativado e sofreu com o vandalismo e a ação do tempo.

Em 2015, o Conselho Municipal do Patrimônio de Guarulhos licitou a restauração do prédio. Mas foi só em 2025, dez anos depois do início das obras e cem anos após sua construção, que a casa resgatou sua antiga glória e se tornou um novo símbolo para a cidade.

É o que Priscila sente após a revitalização: “É um presente muito grande. Eu sou guarulhense, então, nunca vi essa casa bonita como agora. Sempre passava na frente, via aquela casa abandonada. Então, é um orgulho estar aqui dentro de algo que acompanhei”.

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As exposições do Casarão são divididas em três níveis: o piso inferior, ou porão; o piso térreo; e o piso superior. Cada nível conta com diversas salas, repletas de fotografias e peças dedicadas à memória da cidade e da própria casa.

O porão é dedicado à origem mais remota da cidade, desde a pré-história - detalhando a formação geológica de Guarulhos - até os primeiros anos da ocupação do município, retratados por meio de maquetes construídas pelo jornalista Roberto Faria. O andar ainda relembra a construção e as diferentes fases do casarão, assim como seu processo de restauro.

No térreo, o foco se volta para a história contemporânea. Lá, os visitantes encontram a sala histórica, ocupada por maquetes de locais marcantes da cidade e fotografias de todos os prefeitos que já governaram a cidade; a sala da memória, que conta com reproduções da mobília original da casa e um retrato do seu primeiro morador, o prefeito José Maurício de Oliveira Sobrinho; e uma sala de exposição itinerante, ocupada primeiro pela obra do fotógrafo guarulhense Massami Kishi.

Por fim, o piso superior é voltado à educação e à vida comunitária. Nele, estão localizadas uma brinquedoteca, um “banheiro vintage” composto por uma penteadeira e uma banheira idênticas às do período em que a casa foi construída, uma sala sobre a história dos bairros de Guarulhos, outra que narra a história da educação da cidade, e um espaço para formações e oficinas.

De quem visita a quem trabalha, a cidade inteira se beneficia. Como afirma Daniele dos Santos, coordenadora de Programas Educacionais do Casarão: “Todos eles [os munícipes], quando vêm, vêm sempre com esse discurso de gratidão, de encantamento. Então, tem sido bastante gratificante”.

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Retrato de Victor Nogueira.

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Reportagem multimídia produzida para a disciplina Jornalismo Digital, do curso de Jornalismo da FAPCOM (Faculdade Paulus de Comunicação), no 2º semestre de 2025. Orientação: Profª Patrícia Basilio

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